Descoroçoados pelos resultados dos alunos de 15 anos no estudo PISA, ainda frescos, interrogamo-nos sobre as causas do forte declínio sofrido na última década, depois de termos atingido níveis animadores no decurso dos primeiros 15 anos do milénio. As opiniões não são consensuais, mas eram muitos os docentes das nossas escolas que viam nas políticas educativas e metodologias seguidas a antecipação da desgraça. Conto-me entre esses.
Os efeitos da pandemia, que existem, não podem ser tomados como atenuante. Nesses anos, nós, os professores, sabíamos que estávamos a ensinar efectivamente muito pouco e que os alunos não estavam a aprender. Como nos foi permitido suportar as opiniões de muitos nos conselhos de avaliação de que os alunos não podiam ser “prejudicados”, motivo invocado explicitamente para elevar as notas atribuídas? E como foi possível que as chamadas “comissões de avaliação interna” de algumas escolas integrassem esses valores nos referenciais dos anos lectivos seguintes, estimulando ainda mais a subida das notas?
As famílias, a sociedade e, obviamente, a escola estão às aranhas. São muitas as opiniões, mas tenho dúvidas de que surjam delas boas medidas para o futuro, se continuarmos a funcionar como até aqui…
Na minha busca incessante de caminhos viáveis, acabei de ler a obra «O fim da educação» de António Carlos Cortez, e nela vejo espelhadas muitas das preocupações que sempre foram minhas, enquanto professor, particularmente quando considera que «um 18 de hoje equivale, no fundo, a um 11 de há 30 anos», que «os maus resultados dos estudantes nos estudos internacionais (…) são o espelho fiel da falta de exigência e da ideologia facilitista…» ou que «o sistema educativo decapitou as gerações mais novas».
Se não decapitou, andou lá perto.
José Batista d’Ascenção






