Fiz parte do conjunto dos professores convocados para a classificação dos exames nacionais da época especial, especificamente da disciplina de biologia e geologia.
Não admira que o grosso dos alunos que se apresentaram a exame corresponda aos menos bem preparados. Porém, há aspectos particulares que causam desconforto e sobressalto.
Explico: classifiquei 52 respostas de duas perguntas abertas, de 16 provas, relativamente a uma delas, e de 36 provas relativamente à outra. Esta é uma pergunta que aparece em manuais e livros de exercícios da disciplina. Pois em 36 respostas, 29 obtiveram a classificação de zero, em 6 por não haver resposta, e em 23 por não haver discurso perceptivel ou minimamente coerente (desde a ortografia à noção de conceitos e à articulação linguística básica).
A sensação foi tal que não me abandona a dolorosa e vexante interrogação: como é possível haver alunos nestas condições ao fim de 11 anos de escolaridade ou que sejam pré-universitários (fim do 12º ano)?
José Batista d’Ascenção






