sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Decorrem exames no ensino secundário

«Época especial» é a designação que consta nos envelopes em que chegam as provas e nas folhas de resposta. «Época extraordinária» é como está nas pautas de chamada. Outros chamam-lhe «3ª fase».

Não foram poucos os inscritos, especialmente nas disciplinas de Português (46), Matemática A (61), Física e Química (70) e Biologia e Geologia (54), na Escola em que trabalho. Naturalmente, alguns não comparece(ra)m.

Esta manhã coube-me uma vigilância, que se fez sem custo, e em que não houve nada de novo, excepto o alerta, às onze, de que faltava meia hora para o fim da prova, podendo cada aluno usar ou não a tolerância de trinta minutos.

Objectivamente, a realização destes exames não causa transtornos nem prejuízos de monta. Vêm a destempo, não apagam as injustiças que tenha havido, mas até permitiram tempo acrescido para alguns alunos se prepararem. Nem se pode dizer que o início do ano lectivo seja significativamente afectado, quer no ensino secundário quer no ensino superior (suponho…). Ressalvo o constrangimento para os alunos que ainda não entraram no ensino superior, relativamente à procura de alojamento e acomodação, que ficam dificultadas.

Para os professores que vão classificar as respostas (para o que também estou convocado) é trabalho extra, mal pago, mas não é isso que os atira abaixo, se tudo correr como deve.

Merecemos todos «boas entradas» no novo ano escolar.   

José Batista d’Ascenção

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Inflação de notas nas escolas portuguesas

O jornal «Público» de hoje dedica um artigo ao assunto. E revela dados que deviam escandalizar, mas  não espantam ninguém. Por exemplo:

- em 38 escolas privadas cerca de um terço dos alunos têm 19 ou 20 a todas as disciplinas!;

- as escolas públicas têm vindo a seguir as privadas na subida geral das notas;

- as notas são especialmente elevadas nas disciplinas não sujeitas a exame nacional;

- um investigador português da Universidade de Oxford – Pedro Freitas - diz que as classificações aumentaram muito no tempo da pandemia «até porque os professores tinham menos elementos para avaliar os alunos»... [E se tinham menos elementos de avaliação, se ensinaram menos e se os alunos aprenderam pior, porque é que inflacionaram as classificações? – pergunto eu] e que, depois disso, «as notas permaneceram encostadas lá em cima». [É caso para perguntar: porque é que as estruturas do ministério da educação não intervieram?];

- o mesmo investigador põe a questão de saber se «…estes colégios estão a atribuir classificações que não correspondem ao desempenho e conhecimentos reais dos alunos?» [Que ideia, eles faziam lá uma coisa dessas?];

- entre questões muito pertinentes, que Pedro Freitas (também) coloca, há duas que devem ser para rir, que é saber «se este aumento das notas altas revela alguma coisa sobre a melhoria da qualidade do sistema educativo» e «se temos hoje melhores alunos do que há uns anos.»

Eu sei a resposta a ambas: Não, a qualidade do sistema educativo não melhorou nos últimos anos e os alunos de hoje não são melhores, em média, do que os alunos de tempos anteriores.

Conclusão/interrogação (minha): para que servem aos decisores governamentais/ministeriais os dados disponibilizados pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC)?

José Batista d’Ascenção

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Sobre as elevadíssimas médias de entrada em alguns cursos universitários

[Este texto não deve ser lido por pessoas sensíveis, que sejam ou tenham sido professores]

Mais de quarenta anos como docente do ensino secundário, não deixo de me espantar com a abundância crescente de médias estratosféricas de entrada em vários cursos universitários. Isto devia ser muito bom. De resto, corresponde a grande aplicação de numerosos alunos, com elevadas capacidades cognitivas, dedicação e boa gestão da sua condição de estudantes. Essas «performances», como agora se diz, são também fruto do acompanhamento dos pais e da despesa que (muitos) fazem em explicadores (que chegam a ser mais do que um na mesma disciplina para o mesmo aluno).

Não se pense que não gosto de ter bons alunos e de os compensar merecidamente. Mas, em minha opinião, não há tantos génios assim no nosso país. Foi por isso, com um misto de tristeza e desconforto que, no final do ano lectivo passado, declarei para uma acta de avaliação do 3º período: …«os alunos com melhor rendimento tendem a expressar o desejo de serem classificados com o máximo da escala. Em termos objetivos, os dados obtidos por qualquer deles não são conformes com tal pretensão. O professor da disciplina lamenta a situação em que se caiu na generalidade das escolas, a qual exige medidas hierárquicas universais para moderar o quadro que se vive. Sem essas medidas, resulta (para si) a contingência ingrata de: ou acompanhar a tendência ou prejudicar, por comparação, os alunos que lhe couberam. São estas as razões por que propôs classificações de 20 valores.»

Tão chocante como isto é o facto de só 3% dos alunos mais pobres terem obtido colocação nas universidades. No tempo do fascismo chegou-se a 4%!

Mas quem me manda a mim incomodar-me com o que não incomoda ninguém?

José Batista d’Ascenção

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Há coisas que não se devem fazer nem dizer, mesmo na política (dos políticos que temos…)

Ontem optei por não escrever sobre o que agora registo. Saíra de consulta médica pouco auspiciosa e ouvi, nas notícias da rádio «Antena 1», o senhor primeiro-ministro referir, relativamente à bagunça desesperante que foi a classificação dos exames nacionais, que um dos problemas do processo radica na resistência de parte dos professores à mudança para o digital.

Senti tristeza e indignação. Os professores aceitam e aderem de bom grado a todos os meios, particularmente os digitais, que diminuam a burocracia e facilitem o (seu) trabalho. É tão assim que devia ser cristalino para todos, mormente os governantes.

Não aprecio o actual governo, como não apreciei o anterior nem o anterior ao anterior…, porque há coisas que não aceito, particularmente as que ferem o (meu) conceito de ética, como seja um primeiro-ministro em exercício manter na sua residência particular uma empresa privada, ou os casos chocantes na saúde, do drama das parturientes ao das pessoas que morreram porque o socorro demorou incompreensivelmente, ou os projectos de leis laborais que parecem destinados a destruir direitos elementares dos trabalhadores pobres, etc.

Curiosamente, eu apreciava o trabalho de Fernando Alexandre, sobretudo por ter tido a coragem de extinguir organismos do ministério da educação que (me parecia que) existiam para dar funções aos que neles estavam colocados. A meus olhos, na composição do governo, quem também me parece merecer apreço é a ministra do ambiente. O que é pouco num elenco tão grande.

Por extensão…, a meu ver, os dirigentes políticos da actualidade são uma decepção continuada e um perigo para a credibilidade da democracia. Problema maior, para mim, é a interrogação: havendo novas eleições, quem é que os portugueses escolheriam?

E tenho medo, confesso.

José Batista d’Ascenção

domingo, 5 de julho de 2026

À espera, à espera...

Que devemos pensar? Agora mesmo, quando (mais uma vez, e foram várias vezes hoje) «cliquei» em classificações «online» (de respostas de exames nacionais), na plataforma do IAVE, apareceu isto:

Fica a gente em estado de estupor.

José Batista d'Ascenção

domingo, 28 de junho de 2026

À espera…

Por estes dias devia estar a “corrigir” provas de exame. Mas continuo à espera, hoje como ontem, anteontem, antes de anteontem…, das respostas de exame que devia estar a classificar.

A sensação é estranha e triste: por mim e pela minha profissão, pelos alunos e pelo meu país (que não consegue melhorar nada de coisa nenhuma nos tempos que vão correndo).

Não quero pôr sal na ferida, nem dramatizar o que não está bem, mas não posso nem devo fugir a este registo. E, já que estou com as mãos na massa, acrescento o que no Verão passado acabei por esconder, relacionado com exames: “carimbado” com provas na 1ª fase, havia (ainda) de caber-me a apreciação de recursos. Depois de atrasos na recepção dos exames digitalizados a reapreciar, devido a «questões técnicas», quando feito o trabalho, que incluía 3 ficheiros por cada reapreciação (não bastava um!), para além da grelha de classificações, os quais, ainda vazios, já tinham o tamanho digital máximo que a plataforma admitia para a submissão, logo que se registava neles o que quer que fosse, ainda que mínimo, ultrapassavam o tamanho estipulado, impossibilitando a dita submissão.

Então, como agora, senti tristeza e pena, que aumentaram quando “supliquei” presencialmente aos elementos do «agrupamento de exames» que fizessem chegar a apreciação que fiz, por escrito, sobre as limitações encontradas, em que referia o amadorismo e a incompetência de quem desenhara tais instrumentos, com a falta de qualidade que tinham.

Não tenho a certeza de que tenha valido alguma coisa.

Transportando-me para o presente: Continuo a aguardar.

Eu e tantos…

José Batista d’Ascenção