quinta-feira, 16 de julho de 2026

Há coisas que não se devem fazer nem dizer, mesmo na política (dos políticos que temos…)

Ontem optei por não escrever sobre o que agora registo. Saíra de consulta médica pouco auspiciosa e ouvi, nas notícias da rádio «Antena 1», o senhor primeiro-ministro referir, relativamente à bagunça desesperante que foi a classificação dos exames nacionais, que um dos problemas do processo radica na resistência de parte dos professores à mudança para o digital.

Senti tristeza e indignação. Os professores aceitam e aderem de bom grado a todos os meios, particularmente os digitais, que diminuam a burocracia e facilitem o (seu) trabalho. É tão assim que devia ser cristalino para todos, mormente os governantes.

Não aprecio o actual governo, como não apreciei o anterior nem o anterior ao anterior…, porque há coisas que não aceito, particularmente as que ferem o (meu) conceito de ética, como seja um primeiro-ministro em exercício manter na sua residência particular uma empresa privada, ou os casos chocantes na saúde, do drama das parturientes ao das pessoas que morreram porque o socorro demorou incompreensivelmente, ou os projectos de leis laborais que parecem destinados a destruir direitos elementares dos trabalhadores pobres, etc.

Curiosamente, eu apreciava o trabalho de Fernando Alexandre, sobretudo por ter tido a coragem de extinguir organismos do ministério da educação que (me parecia que) existiam para dar funções aos que neles estavam colocados. A meus olhos, na composição do governo, quem também me parece merecer apreço é a ministra do ambiente. O que é pouco num elenco tão grande.

Por extensão…, a meu ver, os dirigentes políticos da actualidade são uma decepção continuada e um perigo para a credibilidade da democracia. Problema maior, para mim, é a interrogação: havendo novas eleições, quem é que os portugueses escolheriam?

E tenho medo, confesso.

José Batista d’Ascenção

domingo, 5 de julho de 2026

À espera, à espera...

Que devemos pensar? Agora mesmo, quando (mais uma vez, e foram várias vezes hoje) «cliquei» em classificações «online» (de respostas de exames nacionais), na plataforma do IAVE, apareceu isto:

Fica a gente em estado de estupor.

José Batista d'Ascenção

domingo, 28 de junho de 2026

À espera…

Por estes dias devia estar a “corrigir” provas de exame. Mas continuo à espera, hoje como ontem, anteontem, antes de anteontem…, das respostas de exame que devia estar a classificar.

A sensação é estranha e triste: por mim e pela minha profissão, pelos alunos e pelo meu país (que não consegue melhorar nada de coisa nenhuma nos tempos que vão correndo).

Não quero pôr sal na ferida, nem dramatizar o que não está bem, mas não posso nem devo fugir a este registo. E, já que estou com as mãos na massa, acrescento o que no Verão passado acabei por esconder, relacionado com exames: “carimbado” com provas na 1ª fase, havia (ainda) de caber-me a apreciação de recursos. Depois de atrasos na recepção dos exames digitalizados a reapreciar, devido a «questões técnicas», quando feito o trabalho, que incluía 3 ficheiros por cada reapreciação (não bastava um!), para além da grelha de classificações, os quais, ainda vazios, já tinham o tamanho digital máximo que a plataforma admitia para a submissão, logo que se registava neles o que quer que fosse, ainda que mínimo, ultrapassavam o tamanho estipulado, impossibilitando a dita submissão.

Então, como agora, senti tristeza e pena, que aumentaram quando “supliquei” presencialmente aos elementos do «agrupamento de exames» que fizessem chegar a apreciação que fiz, por escrito, sobre as limitações encontradas, em que referia o amadorismo e a incompetência de quem desenhara tais instrumentos, com a falta de qualidade que tinham.

Não tenho a certeza de que tenha valido alguma coisa.

Transportando-me para o presente: Continuo a aguardar.

Eu e tantos…

José Batista d’Ascenção

segunda-feira, 22 de junho de 2026

A visão da Escola com que me identifico, desde sempre

(…) «Está certa a ideia de que uma criança não aprende sozinha nem com os pares que saibam o mesmo, isto é, o professor tem um papel imprescindível na aprendizagem.

(…) A ideia de que as crianças descobrem o seu próprio saber é muito ingénua. Podem e devem ser postas a questionar, a fazer conjecturas, mas certamente vão chegar, como a Humanidade chegou no passado, a conclusões erradas. (…) Não descobrem, de repente, aquilo que à Humanidade demorou séculos a descobrir. Por isso é que o ensino é indispensável. (…) A escola serve para transmitir às gerações actuais o melhor que as gerações anteriores nos legaram, incluindo nessa herança o corpo de conhecimentos sobre o mundo e o método para o adquirir, que se chama ciência. (…) É um erro abandonar o «ensino directo» em favor do «ensino centrado na criança». (…) Em ciência há conceitos científicos, destilados por todo um desenvolvimento cumulativo da ciência, e não há lugar a conceitos alternativos.

(…) Seria bom que, em vez de contínuas «experimentações pedagógicas» baseadas em visões construtivistas deturpadas, fossem valorizadas (…) formas de ensino empiricamente testadas e que é preciso seleccionar. (…) Não se quer com isto dizer que a curiosidade e vontade de mexer dos alunos devam ser reprimidas em favor de uma visão passiva. Antes pelo contrário.

(…) É curioso que (…) o computador pessoal, [que] apareceu no início dos anos de 1980, tenha alimentado a ideia mirífica do «ensino centrado no aluno». (…) A prática veio a mostrar (…) que os professores não são dispensáveis. (…)

(…) A escola foi inventada no tempo dos antigos Gregos como uma relação entre mestre e discípulos, tendo como horizonte o conhecimento, e (…), a escola continua a ser, na sua essência, essa relação. (…)

(…) Em Portugal os professores estão de tal modo habituados a ter de seguir determinações do aparelho estatal que nem têm tempo para pensar e planear o seu trabalho de acordo com o conhecimento científico. (…) As vítimas (…) são (…) os alunos, principalmente aqueles vindos de meios mais desfavorecidos que, sem escola, não têm possibilidade de acesso ao melhor que a Humanidade tem para lhes dar (…)

(…) Muitos «teóricos» da educação, que a cada oportunidade política manipulam [os] programas [curriculares] (…), não sabem bem o que é a ciência, quando a apresentam (…) como uma mera construção social. (…)

(…) Às escolas e aos professores devia ser dada liberdade pedagógica, em vez de serem impostas (…) coisas difusas [como as] chamadas «competências». [E bem assim, princípios, objectivos e métodos, que] vêm embrulhados em prosa obscura, como é exemplo o (…) Perfil do Aluno à Saída da Escolaridade Obrigatória. (…) O valor maior devia ser o do conhecimento, e não os valores (…) da utilidade e da rentabilidade (…). Não há que ter medo dos testes, pois as medidas que eles fornecem, ainda que imperfeitas, acabam por ser melhores do que nenhuma medida.»(…)

David Marçal, in: «A Ciência E Os Seus Inimigos». Carlos Fiolhais e David Marçal. Gradiva. 5ª ed. 2022. 222-227 p.

José Batista d’Ascenção

Ondas de calor e exames nacionais

Este ano lectivo, a logística e os procedimentos associados aos exames nacionais comportam alterações que ainda não sabemos se são globalmente vantajosas ou se trazem inconvenientes que é preciso evitar ou resolver.

Um pequeno aspecto que podia ser melhorado, sem nenhuma dificuldade ou desvantagem, é o horário de início de realização das provas da parte da manhã. Em vez de ser às 09.30 horas devia ser às 09.00 horas. Porquê?

Se ocorrerem ondas de calor, como se prevê para esta semana, e os termómetros se aproximarem do 40 ºC ou os ultrapassarem, o ambiente em salas de exame com as vidraças viradas a Sul pode tornar-se muito desconfortável. Começando meia hora mais cedo, o efeito tórrido podia ser um pouco atenuado.

As vantagens não seriam despiciendas.

José Batista d'Ascenção

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Conselhos para os meus alunos que vão a exame pela primeira vez

Queridos alunos:

A próxima quinta-feira, dia do exame de biologia e geologia, é mais um dia das vossas vidas. É importante? É. Mas não será mais importante do que outros dias que já viveram e muitos outros que hão-de viver.

Parece-me que lhes será útil:

- não pretender rever tudo na véspera;

- tentar dormir bem a noite anterior;

- chegar com tempo no dia do exame, levar o documento de identificação e relógio permitido;

- manter a calma: não ficar aflito qualquer que seja a impressão que a prova cause – especialmente a primeira impressão;

- aproveitar o tempo do exame até ao fim.

Depois dos exames, com excepção da análise dos resultados, procurar esquecer os exames e a escola, até Setembro.

Bom trabalho.

José Batista d'Ascenção

domingo, 14 de junho de 2026

Agora que as “notas” (internas) saíram

Já posso fazer uma confissão: a avalanche de notas altíssimas, não poucas delas de vinte!, causam-me decepção e tristeza. Confesso-o porque não consigo contrariar a onda nem fugir ao turbilhão. Penso que não é bom para os alunos e é mau para a escola e para os professores e para a sociedade. Um vinte dá-se (ou devia dar-se) esporadicamente a alunos extraordinários (extra-ordinários, quero significar) quando eles aparecem (porque os há), não sei com que “periodicidade” (de vinte em vinte anos?), mas não assim, a encher pautas até meter fastio.

A culpa não é dos alunos, nem daqueles que se “autoavaliam” (a autoavaliação é um mito com consequências, de que também não são responsáveis) como se fossem perfeitos e sábios, que eles talvez não saibam que não são.

Isto que afirmo não é diminuir os bons alunos, nem os melhores deles.

E também não é culpar os pais, mesmo aqueles que exercem pressões e ameaças que deviam ser inadmissíveis e frontalmente rechaçadas.

Como (quase) ninguém parece querer ver nada (alguns falaram, mas depois ficaram mudos…), no que eu não alinho, registo, para que conste, que há várias medidas que podem ser tomadas, nenhuma delas perfeita, e entre elas uma que é a minha preferida: Aos professores do ensino secundário devia caber a preparação dos alunos para que eles ficassem a saber. A cada universidade devia caber a responsabilidade e o trabalho de seleccionar os que estivessem preparados para nela ingressar. Desse modo, os alunos e os seus pais passavam a preocupar-se com o que é preciso aprender e saber e não com um número conveniente, justo ou injusto, real ou fictício, afixado numa parede.

Entretanto, por mor dos meus pecados, e com grande desconforto, lá ditei para a acta: «Da análise das opiniões manifestadas pelos alunos, sobretudo pelos que têm melhores classificações, na aula destinada à avaliação do trabalho realizado ao longo do ano, verifica-se que esses alunos tendem a expressar o desejo de serem classificados com o máximo da escala. Em termos objetivos, os dados obtidos por qualquer deles não são conformes com tal pretensão. O professor da disciplina lamenta a situação em que se caiu na generalidade das escolas, a qual exige medidas hierárquicas universais para moderar o quadro que se vive. Sem essas medidas, resulta (para si) a contingência ingrata de: ou acompanhar a tendência ou prejudicar, por comparação, os alunos que lhe couberam. São estas as razões por que propôs classificações de 20 valores.»

Com o maior respeito pelos meus alunos.

José Batista d’Ascenção

terça-feira, 2 de junho de 2026

Vi chorar e chorei

Fugi depressa. A tempo. Era a última aula com a turma H do 12º ano. Para o sumário ditei: "Opiniões dos alunos sobre o trabalho realizado ao logo do ano e sobre avaliação". E foi agradável ir ouvindo os alunos. Nenhum falou de avaliação. Ao contrário do que idealizara fui comentando. Estes miúdos são, sempre foram, meigos, humildes e doces. Só os tive este ano e fiquei encantado com eles ao longo do primeiro período. Depois, a partir do fim de Janeiro, ficaram mais lassos. Desde aí comecei a pôr na equação onde é que, da minha parte, a capacidade de estimular me ficara embotada…

A maneira como hoje se pronunciaram fez-me reparar na bondade daquelas almas e no carinho que aqueles jovens transportam. Quando a M. Lopes tomou a palavra embargou-se-lhe a voz… Eu quis dizer algo que devolvesse alegria e risos, mas não fui fluente.

Os restantes foram algo lacónicos e resumidos, porque, disseram, concordavam com tudo.

Então libertei-os, como quem os abraçasse sentidamente, e disse-lhes: “até sempre”.

Dali até ao carro foi uma fugida. Ninguém me pôde olhar nos olhos.

O tempo da aula terminou agora.

José Batista d’Ascenção

terça-feira, 26 de maio de 2026

Amparar os cachopos

Discretamente: incutir-lhes confiança, serenidade, racionalidade, organização, alguma frieza.

Há-os mal preparados, há. Mas nem esses é bom derrotar. Sem os iludir, não se pode desaproveitar os mínimos dos mínimos que possam conseguir. Estão no caminho, é importante que caminhem.

Outros estão dentro do que é aceitável. Trabalham. Cumprem. São comuns, o que é uma riqueza. Tendencialmente são os mais numerosos. Mondando os factores daninhos, são campo fecundo. Se semearmos e cuidarmos bem, devemos acreditar que teremos boas frutificações e colheitas.

Os acima da média são, só por isso, muito valiosos. Pelo que podem conseguir. Pelo exemplo que podem dar. Pelo retorno que, expectavelmente, trarão à comunidade.

Estas “categorias” não são estanques nem de fronteiras rígidas. Professores diferentes, com os mesmos alunos fariam grupos (deste tipo) não propriamente coincidentes. O que relativiza os rótulos e é um bem, de todo o modo.

Aproxima-se o «cair do pano» de mais um ano lectivo. Não passa de um momento do ciclo escolar que se repete anualmente, para os professores. Para os alunos é diferente.

Vamos ver como se saem nas provas finais. Haja merecimento e justa compensação.

Nada de novo debaixo do Sol.

José Batista d’Ascenção

sexta-feira, 15 de maio de 2026

O ritmo, a idade e algum cansaço

Estreita-se o tempo para o fim do ano lectivo. É muito o que idealmente se desejaria fazer com os alunos e menor a disponibilidade de energia para o conseguir. Da parte dos alunos também há saturação e cansaço. E não pouca ansiedade nos que têm de apresentar-se a exames nacionais. Os pais/encarregados de educação que acompanham os seus educandos não escapam igualmente aos efeitos da “época”, facto que, em casos mais sensíveis, atrapalha os estudantes aplicados.

Serenidade e alguma frieza, capacidade de programação e racionalidade são, por esta altura e nos tempos próximos, especialmente desejáveis.

Os alunos trabalhadores e acompanhados são tão capazes como sempre foram, e os exames são, para os que pensam como eu, requisitos necessários, para diversos efeitos, por motivos vários, desde logo equidade e responsabilização.

Porfiemos. O esforço dará frutos. Evitemos pressões desestabilizadoras e estudo pela goela abaixo em cima da hora. Em algumas escolas o excesso de zelo traduz-se no abuso de fazer horários para dar aulas para além da data legal do seu término, na semana e pouco até aos exames, como se fosse possível dar nesse curto intervalo de tempo o que não se deu em centenas de aulas de disciplinas bienais ou trienais. Apoio aos alunos é outra coisa, e deve revestir formas mais sérias e eficazes.

Infelizmente, há muitos alunos que não estão bem preparados. Mas aí os exames também deviam cumprir uma função útil, por reveladores de responsabilidades que temos dificuldade em assumir, nós: ministério da pasta, departamentos universitários de educação e psicologia, escolas, professores, alunos, pais...

José Batista d’Ascenção

domingo, 26 de abril de 2026

A qualidade dos professores portugueses (*)

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico tende a ter em boa conta a “Educação” em Portugal. De um grupo de oito países avaliados recentemente por aquela organização, os professores portugueses são os que têm um “nível de conhecimentos pedagógicos" mais alto. Há não muitos anos, um seu funcionário apelidou mesmo o nosso “sistema educativo” de um “Rolls Royce”. Há departamentos ou institutos de educação em universidades portuguesas que também estão satisfeitos com o seu trabalho.

Devíamos ficar muito contentes, assim como devíamos sentir na vida diária, no desempenho académico, laboral e social dos portugueses, assim como na prática da cidadania, alguns indicadores que nos proporcionassem mais satisfação e sentido de realização. O optimismo, contudo, se existe, em termos gerais, não se dá por ele.

Nem dentro das escolas tal acontece. Eu, que levo mais de quarenta anos ininterruptos no ensino secundário, não o detecto, nem em mim nem nos muitos com quem convivo diariamente, nem naqueles com quem contacto com frequência, professores na sua maioria. E nos alunos também não noto nenhum entusiasmo especial, digamos.

Quem tivesse dúvidas podia perguntá-lo a docentes e discentes. O que está errado então? A escola não tem boa saúde, por mais que lhe queiramos suavizar as dificuldades. E tapá-las com algum tipo de “verniz”, mesmo que dado por instituições internacionais não resolve os problemas. Agora, se os olhássemos de frente, talvez.

José Batista d’Ascenção

(*) Texto publicado ontem no jornal «Público», pg. 8 da versão impressa.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

As plantas na Obra Poética de Camões

Veio de longe, da margem sul, de onde partiu de madrugada. Começou a sessão na Escola Secundária Carlos Amarante (em Braga) pouco passava das 11.00 horas. Assistiram vários professores e três turmas de alunos: uma de décimo ano, outra de décimo primeiro, ambas dos cursos científico-humanísticos, e uma de décimo segundo ano, esta de línguas e humanidades.

Humilde e franco e disponível, como sempre, o Professor Jorge Paiva.

Falou, mostrou, esclareceu e encantou.

Entre os alunos havia os que estavam fascinados, e quiseram perguntar-lhe várias coisas. Era grande e manifesto o interesse de vários perante alguém que lhes trouxe novidades que ninguém na assistência conhecia, para além das directamente focadas na conferência, por exemplo, que há uma planta e um animal (um gafanhoto) a quem foram dados nomes científicos em homenagem a Luís de Camões, por investigadores que não eram portugueses.

Pouco depois do término, o Professor Paiva partiu feliz, no comboio das 14.00 horas, para chegar a casa ao fim da tarde.

Ficámos de coração cheio.

Obrigado, querido Mestre.

José Batista d’Ascenção

domingo, 12 de abril de 2026

Terceiro período 25/26: partida para a recta final

São (apenas) oito semanas.

Os meus cachopos do décimo primeiro ano têm exame e estão, na maior parte, preocupados. Como têm objectivos, compreende-se. «Alma até Almeida» - vou ver se os animo.

Os do décimo segundo estão mais lassos, mas não devem. Não haver exame não é razão para se aplicarem menos. E eles baixaram no segundo período. Ainda não sei qual é a minha quota-parte de responsabilidade nisso, mas trabalharei com eles e por eles tanto quanto me for possível. Até à última aula. Que façam a parte deles, cada um a sua, naturalmente. Vou insistir nisso.

Se queremos ter sorte temos de trabalhar muito para a fazer acontecer.

Da minha parte, está pubicamente prometido.

José Batista d’Ascenção

sexta-feira, 27 de março de 2026

O último dia de aulas do 2º período

Não há bons frutos sem boas flores,
parece anunciar a cerejeira da minha escola.

Correram serenos, estes três meses com os meus alunos.

Sem que eu saiba o porquê, os de 12º ficaram mais passivos a partir do Carnaval. E o rendimento baixou. Tentei escutá-los, na análise a que, como sempre, convidei cada um, mas as razões mais profundas continuam a escapar-me.

Os de 11º, que vão ter exame nacional, estão mais apostos. Nos pequenos trabalhinhos práticos que fizemos estiveram impecáveis. No resto, ou seja, na parte (mais) teórica não é fácil para eles aceitarem que a loucura em que as escolas caíram, enchendo pautas de vintes, são uma mentira e uma indecência, a que estamos mais ou menos cegos. Lá perceber, eles percebem, sempre que o digo, mas existe a competição típica num universo alargado e é compreensível que todos queiram o “melhor” dos mundos para si, digamos, para simplificar.

Seja como for, eu ainda não cheguei ao “éden” da perfeição classificativa, nem quero alcançá-lo. Basta-me que os meus alunos saibam que luto pelo melhor para eles e para todos. E sei que muitos o sabem.

No mais, «até ao lavar dos cestos é vindima».

Isso lhes disse.

José Batista d’Ascenção

quarta-feira, 4 de março de 2026

Quando vale a pena acompanhar alunos

Hoje, o objectivo era visitar a Galeria da Biodiversidade e o Jardim Botânico do Porto, até ao meio-dia. Após o almoço, que cada um levava consigo, e comemos ao ar livre, no Jardim Botânico, seguimos para o Parque Biológico de Gaia.

Três turmas de 11º ano partiram da ESCA, pela manhã, a boa hora. Não custou levantar um bocadinho mais cedo. Os alunos compareceram simpáticos e com boa disposição. Três turmas, três grupos, para melhor organização, em cada um dos sítios.

Atentos, meigos e bem-formados, os alunos estiveram naturalmente bem e tudo foi muito fácil, harmónico, sereno e fluido. A jornada foi proveitosa e compensadora. Ficou boa impressão nas instituições visitadas e os professores acompanhantes cumpriram a sua missão com agrado.

Nem sempre é assim, daí o realce.

Felicitações aos alunos, que muito o merecem, e aos pais, que tão bem os educam.

Na foto, os alunos da turma C com os professores de biologia e geologia e física e química.

Obrigado.

José Batista d’Ascenção

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Os alunos fazem a escola

Hoje foi o dia comemorativo do patrono Carlos Amarante. Os alunos compareceram e receberam os visitantes, outros alunos de outras escolas do ensino básico, dos mais pequeninos aos mais grandinhos.

É sempre comovente a curiosidade dos que nos visitam, bem como a aplicação e diligência dos nossos mais velhos, que lhes explicam o que se expõe com visível entusiasmo.

O dia 22 de Janeiro as escolas do Agrupamento Carlos Amarante ficam mais próximas. E os alunos de todas elas, bem como os de outras escolas vizinhas, que até nós se deslocam, sentem-se mais imbuídos da importância de aprender, de partilhar e de conviver.

Os objectivos foram merecidamente cumpridos.

Muitos parabéns.

E obrigado.

José Batista d’Ascenção