quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Época especial de exames – que resultados?

Fiz parte do conjunto dos professores convocados para a classificação dos exames nacionais da época especial, especificamente da disciplina de biologia e geologia.

Não admira que o grosso dos alunos que se apresentaram a exame corresponda aos menos bem preparados. Porém, há aspectos particulares que causam desconforto e sobressalto.

Explico: classifiquei 52 respostas de duas perguntas abertas, de 16 provas, relativamente a uma delas, e de 36 provas relativamente à outra. Esta é uma pergunta que aparece em manuais e livros de exercícios da disciplina. Pois em 36 respostas, 29 obtiveram a classificação de zero, em 6 por não haver resposta, e em 23 por não haver discurso perceptivel ou minimamente coerente (desde a ortografia à noção de conceitos e à articulação linguística básica).

A sensação foi tal que não me abandona a dolorosa e vexante interrogação: como é possível haver alunos nestas condições ao fim de 11 anos de escolaridade ou que sejam pré-universitários (fim do 12º ano)?

José Batista d’Ascenção

domingo, 13 de setembro de 2026

Educação ou deseducação?

Descoroçoados pelos resultados dos alunos de 15 anos no estudo PISA, ainda frescos, interrogamo-nos sobre as causas do forte declínio sofrido na última década, depois de termos atingido níveis animadores no decurso dos primeiros 15 anos do milénio. As opiniões não são consensuais, mas eram muitos os docentes das nossas escolas que viam nas políticas educativas e metodologias seguidas a antecipação da desgraça. Conto-me entre esses.

Os efeitos da pandemia, que existem, não podem ser tomados como atenuante. Nesses anos, nós, os professores, sabíamos que estávamos a ensinar efectivamente muito pouco e que os alunos não estavam a aprender. Como nos foi permitido suportar as opiniões de muitos nos conselhos de avaliação de que os alunos não podiam ser “prejudicados”, motivo invocado explicitamente para elevar as notas atribuídas? E como foi possível que as chamadas “comissões de avaliação interna” de algumas escolas integrassem esses valores nos referenciais dos anos lectivos seguintes, estimulando ainda mais a subida das notas?

As famílias, a sociedade e, obviamente, a escola estão às aranhas. São muitas as opiniões, mas tenho dúvidas de que surjam delas boas medidas para o futuro, se continuarmos a funcionar como até aqui…

Na minha busca incessante de caminhos viáveis, acabei de ler a obra «O fim da educação» de António Carlos Cortez, e nela vejo espelhadas muitas das preocupações que sempre foram minhas, enquanto professor, particularmente quando considera que «um 18 de hoje equivale, no fundo, a um 11 de há 30 anos», que «os maus resultados dos estudantes nos estudos internacionais (…) são o espelho fiel da falta de exigência e da ideologia facilitista…» ou  que «o sistema educativo decapitou as gerações mais novas».

Se não decapitou, andou lá perto. 

José Batista d’Ascenção

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Socorro! Estou com medo de ficar rico!

Recebi por ter classificado 75 respostas de exame 75 euros. Para a Caixa Geral de Aposentações descontei 8,25 euros. De IRS retiveram-me 30 euros (40%).

No meu bolso ficam 36,75 euros.

Se eu fugir para Espanha, procurem-me na estrada, não muito longe da porta de casa.

José Batista d’Ascenção

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Decorrem exames no ensino secundário

«Época especial» é a designação que consta nos envelopes em que chegam as provas e nas folhas de resposta. «Época extraordinária» é como está nas pautas de chamada. Outros chamam-lhe «3ª fase».

Não foram poucos os inscritos, especialmente nas disciplinas de Português (46), Matemática A (61), Física e Química (70) e Biologia e Geologia (54), na Escola em que trabalho. Naturalmente, alguns não comparece(ra)m.

Esta manhã coube-me uma vigilância, que se fez sem custo, e em que não houve nada de novo, excepto o alerta, às onze, de que faltava meia hora para o fim da prova, podendo cada aluno usar ou não a tolerância de trinta minutos.

Objectivamente, a realização destes exames não causa transtornos nem prejuízos de monta. Vêm a destempo, não apagam as injustiças que tenha havido, mas até permitiram tempo acrescido para alguns alunos se prepararem. Nem se pode dizer que o início do ano lectivo seja significativamente afectado, quer no ensino secundário quer no ensino superior (suponho…). Ressalvo o constrangimento para os alunos que ainda não entraram no ensino superior, relativamente à procura de alojamento e acomodação, que ficam dificultadas.

Para os professores que vão classificar as respostas (para o que também estou convocado) é trabalho extra, mal pago, mas não é isso que os atira abaixo, se tudo correr como deve.

Merecemos todos «boas entradas» no novo ano escolar.   

José Batista d’Ascenção