terça-feira, 2 de junho de 2026

Vi chorar e chorei

Fugi depressa. A tempo. Era a última aula com a turma H do 12º ano. Para o sumário ditei: "Opiniões dos alunos sobre o trabalho realizado ao logo do ano e sobre avaliação". E foi agradável ir ouvindo os alunos. Nenhum falou de avaliação. Ao contrário do que idealizara fui comentando. Estes miúdos são, sempre foram, meigos, humildes e doces. Só os tive este ano e fiquei encantado com eles ao longo do primeiro período. Depois, a partir do fim de Janeiro, ficaram mais lassos. Desde aí comecei a pôr na equação onde é que, da minha parte, a capacidade de estimular me ficara embotada…

A maneira como hoje se pronunciaram fez-me reparar na bondade daquelas almas e no carinho que aqueles jovens transportam. Quando a M. Lopes tomou a palavra embargou-se-lhe a voz… Eu quis dizer algo que devolvesse alegria e risos, mas não fui fluente.

Os restantes foram algo lacónicos e resumidos, porque, disseram, concordavam com tudo.

Então libertei-os, como quem os abraçasse sentidamente, e disse-lhes: “até sempre”.

Dali até ao carro foi uma fugida. Ninguém me pôde olhar nos olhos.

O tempo da aula terminou agora.

José Batista d’Ascenção