terça-feira, 26 de maio de 2026

Amparar os cachopos

Discretamente: incutir-lhes confiança, serenidade, racionalidade, organização, alguma frieza.

Há-os mal preparados, há. Mas nem esses é bom derrotar. Sem os iludir, não se pode desaproveitar os mínimos dos mínimos que possam conseguir. Estão no caminho, é importante que caminhem.

Outros estão dentro do que é aceitável. Trabalham. Cumprem. São comuns, o que é uma riqueza. Tendencialmente são os mais numerosos. Mondando os factores daninhos, são campo fecundo. Se semearmos e cuidarmos bem, devemos acreditar que teremos boas frutificações e colheitas.

Os acima da média são, só por isso, muito valiosos. Pelo que podem conseguir. Pelo exemplo que podem dar. Pelo retorno que, expectavelmente, trarão à comunidade.

Estas “categorias” não são estanques nem de fronteiras rígidas. Professores diferentes, com os mesmos alunos fariam grupos (deste tipo) não propriamente coincidentes. O que relativiza os rótulos e é um bem, de todo o modo.

Aproxima-se o «cair do pano» de mais um ano lectivo. Não passa de um momento do ciclo escolar que se repete anualmente, para os professores. Para os alunos é diferente.

Vamos ver como se saem nas provas finais. Haja merecimento e justa compensação.

Nada de novo debaixo do Sol.

José Batista d’Ascenção

sexta-feira, 15 de maio de 2026

O ritmo, a idade e algum cansaço

Estreita-se o tempo para o fim do ano lectivo. É muito o que idealmente se desejaria fazer com os alunos e menor a disponibilidade de energia para o conseguir. Da parte dos alunos também há saturação e cansaço. E não pouca ansiedade nos que têm de apresentar-se a exames nacionais. Os pais/encarregados de educação que acompanham os seus educandos não escapam igualmente aos efeitos da “época”, facto que, em casos mais sensíveis, atrapalha os estudantes aplicados.

Serenidade e alguma frieza, capacidade de programação e racionalidade são, por esta altura e nos tempos próximos, especialmente desejáveis.

Os alunos trabalhadores e acompanhados são tão capazes como sempre foram, e os exames são, para os que pensam como eu, requisitos necessários, para diversos efeitos, por motivos vários, desde logo equidade e responsabilização.

Porfiemos. O esforço dará frutos. Evitemos pressões desestabilizadoras e estudo pela goela abaixo em cima da hora. Em algumas escolas o excesso de zelo traduz-se no abuso de fazer horários para dar aulas para além da data legal do seu término, na semana e pouco até aos exames, como se fosse possível dar nesse curto intervalo de tempo o que não se deu em centenas de aulas de disciplinas bienais ou trienais. Apoio aos alunos é outra coisa, e deve revestir formas mais sérias e eficazes.

Infelizmente, há muitos alunos que não estão bem preparados. Mas aí os exames também deviam cumprir uma função útil, por reveladores de responsabilidades que temos dificuldade em assumir, nós: ministério da pasta, departamentos universitários de educação e psicologia, escolas, professores, alunos, pais...

José Batista d’Ascenção