domingo, 26 de abril de 2026

A qualidade dos professores portugueses (*)

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico tende a ter em boa conta a “Educação” em Portugal. De um grupo de oito países avaliados recentemente por aquela organização, os professores portugueses são os que têm um “nível de conhecimentos pedagógicos" mais alto. Há não muitos anos, um seu funcionário apelidou mesmo o nosso “sistema educativo” de um “Rolls Royce”. Há departamentos ou institutos de educação em universidades portuguesas que também estão satisfeitos com o seu trabalho.

Devíamos ficar muito contentes, assim como devíamos sentir na vida diária, no desempenho académico, laboral e social dos portugueses, assim como na prática da cidadania, alguns indicadores que nos proporcionassem mais satisfação e sentido de realização. O optimismo, contudo, se existe, em termos gerais, não se dá por ele.

Nem dentro das escolas tal acontece. Eu, que levo mais de quarenta anos ininterruptos no ensino secundário, não o detecto, nem em mim nem nos muitos com quem convivo diariamente, nem naqueles com quem contacto com frequência, professores na sua maioria. E nos alunos também não noto nenhum entusiasmo especial, digamos.

Quem tivesse dúvidas podia perguntá-lo a docentes e discentes. O que está errado então? A escola não tem boa saúde, por mais que lhe queiramos suavizar as dificuldades. E tapá-las com algum tipo de “verniz”, mesmo que dado por instituições internacionais não resolve os problemas. Agora, se os olhássemos de frente, talvez.

José Batista d’Ascenção

(*) Texto publicado ontem no jornal «Público», pg. 8 da versão impressa.

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