O jornal «Público» de hoje dedica um artigo ao assunto. E revela dados que deviam escandalizar, mas não espantam ninguém. Por exemplo:
- em 38 escolas privadas cerca de um terço dos alunos têm 19 ou 20 a todas as disciplinas!;
- as escolas públicas têm vindo a seguir as privadas na subida geral das notas;
- as notas são especialmente elevadas nas disciplinas não sujeitas a exame nacional;
- um investigador português da Universidade de Oxford – Pedro Freitas - diz que as classificações aumentaram muito no tempo da pandemia «até porque os professores tinham menos elementos para avaliar os alunos»... [E se tinham menos elementos de avaliação, se ensinaram menos e se os alunos aprenderam pior, porque é que inflacionaram as classificações? – pergunto eu] e que, depois disso, «as notas permaneceram encostadas lá em cima». [É caso para perguntar: porque é que as estruturas do ministério da educação não intervieram?];
- o mesmo investigador põe a questão de saber se «…estes colégios estão a atribuir classificações que não correspondem ao desempenho e conhecimentos reais dos alunos?» [Que ideia, eles faziam lá uma coisa dessas?];
- entre questões muito pertinentes, que Pedro Freitas (também) coloca, há duas que devem ser para rir, que é saber «se este aumento das notas altas revela alguma coisa sobre a melhoria da qualidade do sistema educativo» e «se temos hoje melhores alunos do que há uns anos.»
Eu sei a resposta a ambas: Não, a qualidade do sistema educativo não melhorou nos últimos anos e os alunos de hoje não são melhores, em média, do que os alunos de tempos anteriores.
Conclusão/interrogação (minha): para que servem aos decisores governamentais/ministeriais os dados disponibilizados pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC)?
José Batista d’Ascenção

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