(Excerto de artigo de António Barreto, no jornal «Público» de hoje)
Factualmente.
Afixado por José Batista d’Ascenção
(Excerto de artigo de António Barreto, no jornal «Público» de hoje)
Factualmente.
Afixado por José Batista d’Ascenção
Ontem, na escola, à hora a que me dirigia aos serviços de reprografia, quando ia atravessar a sala dos alunos, vi-me impossibilitado de o fazer porque os jovens estavam à cunha naquele espaço. O barulho, esse era ensurdecedor.
Já no (simples e bonito) gradeamento do quarteirão que a escola ocupa, pendurada para o lado da rua, abundava extensa farrapada, com expressões vagas…
Um antigo professor da escola, que circulava por ali, interrogou-me sobre o que era aquilo. Adiantei que o motivo justificativo (ou o pretexto) seria a “campanha” de listas para a Associação de Estudantes.
Impressiona-me que falemos tanto de cidadania e consintamos procedimentos que tais. Felizmente, hoje, o sossego voltou à minha (querida) Escola e as lonas propagandísticas foram removidas. Se foi por acção da Direcção muito me apraz.
Não deixei de comentar os acontecimentos com alunos meus. Perguntei(-lhes) se ficaram elucidados acerca das propostas de acção e sobre as qualidades dos proponentes. Disseram que não e pareceram-me tão incomodados como eu.
Era bom que fôssemos mais exigentes e menos permissivos com arremedos degradantes do exercício da cidadania na(s) escola(s).
As democracias no mundo estão em regressão. À escola devia caber um papel construtivamente preventivo.
De outro modo, acabaremos pior (ainda) do que estamos.
José Batista d’Ascenção
Excerto de artigo de Pacheco Pereira, no jornal «Público» de hoje, página 10 da versão impressa:
…« esta deterioração da língua vem de cima para baixo, vem de quem tem poder no topo para terminar nesta cloaca de ressentimento e raiva [que são as redes sociais]. O Acordo Ortográfico de 1990 — a que, felizmente, quem gosta da sua língua e do seu país resiste —, para além de um desastre diplomático, uma nulidade em termos de “unificação” do português — posso, por exemplo, num processador de texto, escolher a opção “português de Angola” —, traduziu-se num abastardamento da língua. Esse abastardamento foi retirar-lhe a memória, eliminando os traços da sua origem no latim. Como disse também Pessoa: “A ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.”»
José Batista d’Ascenção