segunda-feira, 31 de março de 2025

Carvalhos alvarinho (ou seus híbridos naturais) e repovoamento vegetal

Foram semeados em sete de Outubro. Duas bolotas por vaso (de tamanho pequeno). Lote limitado a cento e vinte vasos, por limitação de espaço e necessidade de fazer outras sementeiras/plantações, além de trabalhos diversos.

A estufa da Escola Secundária Carlos Amarante (ESCA) é frigidíssima no Inverno e desmesuradamente quente nos dias de sol, na Primavera, e durante o Verão.

Por alguma razão, a germinação dos carvalhos, este ano, demorou. As plantas estão agora na fase que a imagem documenta: algo frágeis para serem transplantadas para a floresta, de ora em diante, pelo risco de secaram, e, seguramente, incapazes de suportar o Verão na nossa estufa, onde as temperaturas podem chegar aos 60ºC. O remédio será transferi-las para o exterior, um dia destes, até ao início do próximo Inverno. Nessa altura, as que tiverem resistido serão fornecidas para plantio em espaços florestais pelos serviços da Câmara Municipal de Braga ou pelos utentes da ESCA que o queiram fazer.

A germinação das bolotas ocorreu (apenas) em pouco mais de metade dos vasos (63, exactamente), mas não se pense em desperdício natural. Algumas delas, no meio ambiente, teriam servido de alimento a animais, como aves (gaios, por exemplo) e mamíferos (ratos e outros…) e outras sofreram decomposição funcionando como fertilizante orgânico do solo.

Na Natureza nada se perde e tudo inevitavelmente se transforma.

José Batista d’Ascenção

quinta-feira, 27 de março de 2025

Crianças de 10 anos que mamam; adolescentes que dormem de fralda ou com a mãe; dependências de telemóvel...

Excerto de entrevista ao neuropsicólogo Álvaro Bilbau no jornal «Público»de hoje (p. 14)


[…] «Posso contar muitos casos que passam pela minha consulta: um rapaz de 17 anos que tem de dormir com a mãe, porque senão não dorme; miúdos de 10 anos que ainda mamam; e no outro dia um miúdo de 13 anos que dorme de fralda. Contaram-me isto no início de Fevereiro e na semana passada levaram-me um bolo, a mãe e o miúdo, porque ele tinha dormido toda a semana sem fralda e sem fazer chichi na cama. Só lhe faltava que alguém dissesse: não podes dormir com fralda aos 13 anos e, se fizeres chichi, terás de lavar os lençóis. O miúdo estava angustiado porque não podia ir acampar.»

[…]

«O que diria a um pai que decide dar um telemóvel a um filho?

Se eu fosse esse pai, a comprar um telemóvel para o meu filho de 13 anos, a primeira coisa que lhe dizia é: este telemóvel não é teu. Podes usá-lo, mas eu posso supervisioná-lo, posso decidir tirar-to, posso dar-to, não é o teu telemóvel, é meu. Assim, a criança vai perceber que não é uma coisa de uso livre, para fazer tudo o que quer. E tem de haver regras claras. Duas das mais importantes são que nos lugares onde estamos juntos não o podemos usar, ou seja, à mesa, quando estamos a comer, não podemos olhar para o telemóvel, nem tu nem eu. A segunda é que o telemóvel não pode dormir no mesmo quarto que tu porque isso vai transtornar-te o sono. E, claro, têm de ter as limitações de tempo, os espaços com e sem.» […]

Afixado por: José Batista d’Ascenção

sábado, 22 de março de 2025

Evolução molecular das espécies (*)

Linus Pauling e Emile Zuckerkandl, 1986.

Em meados da década de 1960, Linus Pauling e Emile Zuckerkandl inventaram um novo método de análise de evolução biológica: As proteínas, como o DNA que as codifica, servem de cartão de identidade de cada organismo. Comparando a sequência de nucleótidos, no DNA, ou dos aminoácidos, nas proteínas, de (macro)moléculas próximas, na estrutura e na função, em diferentes seres vivos, poder-se-ia encontrar a genealogia das espécies.

Zuckerkandl e Pauling compararam a hemoglobina de grande número de animais. Se as hemoglobinas de duas espécies diferissem num único aminoácido nas suas sequências, esses organismos teriam divergido mais tardiamente do que aqueles que apresentassem hemoglobinas com diferenças em 2, 3 ou mais aminoácidos.

Poder-se-ia assim reconstituir a árvore genealógica dos seres vivos: se as mutações que alteram pontualmente um aminoácido numa proteína, provocadas pelas radiações contínuas sobre o planeta, fossem aleatórias e se, por essa razão, afectassem as biomoléculas em intervalos mais ou menos regulares, as espécies próximas na evolução, provenientes de ancestrais comuns, teriam moléculas com sequências e estruturas pouco diferentes.

Na Ordem dos Primatas, o aparecimento do macaco rhesus pode ter ocorrido há 24-31 milhões de anos (Ma), o do gorila há 15-19 Ma, o do chimpanzé há 7-10 Ma e o do género Homo (a que pertence a espécie Homo sapiens) há menos de 2,5 Ma.

Não obstante, não cedamos demasiado à ilusão positivista da absoluta validade desta reconstituição.

O tempo não corre segundo um ritmo universal e imutável: o velho relógio molecular é 5 a 10 vezes mais rápido nos roedores do que nos macacos (ditos) superiores. Vá-se lá saber porquê! 

José Batista d’Ascenção

(*) Texto baseado na releitura do livro «A palavra das coisas» de Pierre Laszlo. Gradiva. 1ª edição, Lisboa, I995. (p. 252-254)

domingo, 16 de março de 2025

Plasmólise e turgescência em células vegetais

Foi já na manhã de Quinta-feira. Usaram-se pétalas de magnólia, de camélia e de sardinheira. Nestes casos, a variação do colorido ajuda, mas obriga à utilização cuidadosa do bisturi. Material muito mais fácil de usar e de resultados claros são as folhas de elódea, como a imagem documenta. Para imagens de células túrgidas, basta a água da torneira como meio de montagem, sem mais. Para obter imagens de células plasmolisadas (ver imagem, ampliada 400x) é suficiente dissolver três colheres de chá bem cheias de sal (cloreto de sódio) ou de açúcar (sacarose) em 400-500 ml de água (da torneira), e usar a solução (hipertónica) obtida como meio de montagem.

Mais interessante é começar com preparações temporárias usando água da torneira como meio de montagem (solução hipotónica) e observar as células túrgidas. A seguir, com uma pipeta de Pasteur, colocam-se duas ou três gotas da solução hipertónica num dos bordos da preparação, à direita ou à esquerda, e aspira-se o meio de montagem com uma tira de papel de filtro do lado oposto. À medida que a solução hipotónica é substituída pela solução hipertónica, que vai irrigando as células, vê-se estas a passarem do estado de turgescência ao estado de plasmólise.

Os alunos ficam entusiasmados e percebem então muito bem o que o discurso e as imagens do manual ou as explicações teóricas do professor não evidenciam tão convenientemente, dadas as limitações de leitura, de compreensão e de análise de muitos alunos. 

José Batista d’Ascenção